Relançado agora, frente às comemorações de seu centenário de nascimento, "O Casamento" ganhou também uma adaptação para o teatro, pelas mãos da diretora Johana Albuquerque, responsável também pela dramaturgia.
Adaptações, sejam elas para o teatro, cinema, ou televisão, apesar de sempre bem vindas, são de fato tarefas extremamente difíceis, uma vez que cada um desses veículos possui linguagem própria, e diferente, daquela utilizada na literatura, podendo resultar em produtos de qualidade duvidosa e algumas vezes comprometendo até o autor, quando o público não conhece seu original, ou outras de suas obras.
Para esta montagem se uniram dois grupos teatrais, a Bendita Trupe, capitaneada por Johana Albuquerque, e o Teatro Promíscuo, liderado pelo experiente Renato Borghi.
Conduzida em seu início de forma a nos levar ao universo de Nelson Rodrigues, e suas personagens polêmicas, o espetáculo peca principalmente pela frágil adaptação, fazendo com que a riqueza destas personagens não seja claramente esmiuçadas, uma vez que a história de um livro de praticamente 350 páginas deve ser apresentada num espetáculo de 2 horas (e foram mais). Dessa forma, a vitalidade da linguagem do autor, a crítica à uma sociedade hipócrita ficam enfraquecidas ao serem levadas à cena.
Renato Borghi, no papel de Dr. Sabino, não mostra toda a ousadia que um ator de sua experiência poderia revelar nesta personagem, cheia de nuances e contradições, o que é uma pena. Daniel Alvim, como Antonio Carlos e Teófilo (o homosexual) poderia trabalhar com a contenção, no entanto parte para o histrionismo.
Elcio Nogueira Seixas compõe muito bem a figura de Dr. Camarinha, não tendo tanto sucesso, porém, em sua composição de Zé Honório. Maurício de Barros se comporta bem como Xavier, mas carrega muito ao interpretar o Monsenhor, que no livro, pode até ser considerada a personagem mais livre de repressões severas, um paradoxo plausível e divertido, tratando-se de Nelson Rodrigues.
A grande surpresa da montagem fica por conta das atrizes, tendo em Diana Bouth uma Glorinha extremamente rodriguiana, Vera Bonilha como a amiga Maria Inês, a divertida mãe D. Eudoxia e a torturada esposa de Xavier. Regina França se sai muito bem em sua Noêmia, pena que a adaptação não lhe favorece mais momentos para que ela explore mais sua personagem, assim como é o caso de Eudoxia.
Johana Albuquerque assina uma direção em que há momentos muito criativos e que mostram o cuidado com a encenação, como a cena da festa logo no início do espetáculo, e aquela, que transpira o universo de Nelson em que estão Maria Inês, Gloriha e Antonio Carlos.
Impecáveis figurinos de Simone Mina que soube muito bem ambientar o elenco em meados dos anos 60, com muita criatividade e estilo. André Cortez consegue leveza, mistério e luxúria com seu cenário funcional utilizando tecidos. Bela trilha sonora de Pedro Bierenbaum e correta iluminação de Paulo Cesar Medeiros.
Não fosse prejudicado pelo andamento da adaptação, e um trabalho mais artesanal com alguns dos atores, O Casamento poderia ser celebrado como um dos acontecimentos da temporada, talvez tenha tido muito arroz de festa.
Serviço
Gênero
Comédia
Temporada
de 13 de abril a 30 de junho de 2013
Sextas e sábado às 21h30 e domingo às 18h
130 minutos
Indicação de faixa etária
16 anos
Local
TUCA – Teatro da PUC-SPRua Monte Alegre, 1024 – Perdizes - São Paulo - SP
Capacidade
672 lugares
Acesso para pessoas com deficiência
Ingressos
Sexta R$ 50.Sábado e Domingo R$ 60(Desconto de 50% para Estudantes, Maiores de 60 anos, Aposentados, Professores da Rede Pública Estadual e Classe Artística com DRT)Preço especial PUC-SP(Para estudantes, professores e funcionários da PUC sob comprovação - número de ingressos limitado a 10% da lotação do teatro - compra somente na bilheteria do teatro)Vendas
Estacionamento conveniado:
Pier Park Estacionamentos - Rua Monte Alegre, 835 - R$15,00 - Tel.: (11) 3120-5052 (Valor válido somente mediante a apresentação de ingressos das peças em cartaz no TUCA)

