Protagonizada por Otávio Martins, Petrônio Gontijo e Adriane Galisteu, a peça estreou com Carolina Ferraz no papel feminino, agora substituída.
A peça se passa em 1995, quando três jovens, filhos de arquitetos, se reencontram para decidir sobre a herança do pai de um deles, e que rumo tomarão na vida. Este é o primeiro ato deta peça. (Sim, finalmente um espetáculo onde há dois atos, e que importam muito no desenrolar da trama, prendendo o espectador que se entretém com um bom espetáculo).
No segundo ato os atores tomam o lugar de seus pais, pois a ação se desenrola em 1960, trinta e cinco anos antes. Será através deste ato que as coisas ficarão claras para o espectador, e que importantes fatos serão desvendados.
Com uma direção segura de Jô Soares, uma ambientação primorosa e um cuidado extremo com a produção, o espetáculo torna-se uma grande surpresa nesta temporada teatral, e que não pode, e não deve, ficar esquecido, até pelo espectador menos avisado, aquele que não "gosta" de teatro.
Otávio Martins imprime personalidade na composição de suas duas personagens, mostrando um ótimo trabalho de ator na composição de Walker e Ned, preocupado mesmo com nuances e gestos característicos de cada personagem.
Petrônio Gontijo, um dos grandes atores da atualidade, também mostra toda sua competência na composição de Pip e Theo, personagens mais carismáticos, e por isso mais simpáticos ao público.
Adriane Galisteu já demonstrou ser uma boa atriz em diversos espetáculos, no entanto ainda parecia insegura na composição de Anna e Lina, talvez por ter sido justamente sua segunda apresentação no dia em que assistimos o espetáculo.
Some-se a tudo isso uma bela iluminação de Maneco Quinderé, um cuidadoso figurino com excelente trabalho de pesquisa de Fábio Namatame, cenário elegante e funcional de Marco Lima, além da deliciosa trilha musical assinada por Eduardo Queiróz e Ricardo Severo.
Com certeza um espetáculo que ficará na memória dos que o assistiram, como aquele delicioso dia de chuva em que nos sentimos confortáveis em nossos lares, com uma ótima companhia e distração.
Três Dias de Chuva traz uma "noite" ensolarada (pelo calor), e enluarada (pela magia) para os palcos. Muito bom ver que o Teatro ainda está vivo e feito com muita competência.
Carlos Eduardo Carneiro
FICHA TÉCNICA
- Texto: Richard Greenberg
- Direção: Jô Soares
- Tradução e adaptação: Jô Soares
- Assistente de direção: Carol Bastos
- Desenho de Luz: Maneco Quinderé
- Cenografia: Marco Lima
- Música Original: Duda Queiros
- Figurino: Fabio Namatame
- Fotografia: Priscila Prade
- Direção de Produção: Ed Júlio
- Produção Executiva: Gabriel de Souza
- Realização: Baobá Produções Artísticas
- Elenco: Adriane Galisteu, Otávio Martins e Petrônio Gontijo
EM CARTAZ
- De 26 de julho até 16 de dezembro.
- Horários: Sextas-feiras às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h.
- Ingressos: Sexta e Domingo R$ 60 | Sábado R$ 70
- Vendas: 4003.1212 – www.ingressorapido.com.br
