sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Entrevista



Entrevista:

Ele – E então, uma vez que você se aventura nesta empreitada no teatro o que poderia dizer sobre ele?
Ela – Trata-se de um veículo importantíssimo para o aprimoramento do ator, para testar suas habilidades e exercitar a profissão.
Ele – O que você considera importante no teatro, numa montagem teatral.
Ela – Tudo é importante. Desde a escolha do texto, sua leitura, a iluminação, o figurino, o cenário, são elementos que dão vida a personagem, que a constroem, mas nada disso seria possível sem a figura do Diretor.
Ele – Qual a real importância do Diretor num espetáculo teatral?
Ela – É o verdadeiro maestro. Ele que conduz os atores pelos meandros das personagens, que descobre junto com eles suas fragilidades e caracrterísticas predominantes, que confronta o ator com sua sombra, aquela produzida em palavras pelo autor.


Pois bem, isso poderia ser o mote do espetáculo A Entrevista , do holandês Theodor Holman, baseada no filme de mesmo nome do diretor Theo Van Gogh, em cartaz no Teatro Vivo, tendo como protagonistas Priscila Fantin e Herson Capri.

A história parece banal, um jornalista político que  é desviado de sua especialidade para entrevistar uma estrela das novelas para traçar um perfil de sua personalidade. O texto, bem construído, é um bom exercício para atores, principalmente atores de televisão, que a partir do conhecimento de sua profissão podem transmutar as personagens em seres próximos do público, revelando grande carga humana, e surpreendendo na revelação final. Todavia isso acontece apenas em parte, pois há a necessidade de um trabalho mais sutil com as palavras das personagens, um tranbalho que conduza os atores ao verdadeiro objetivo de suas personagens. 

Priscila Fantin é uma boa atriz que soube muito bem criar uma Mariah convincente em seu papel de diva do “star sistem”, falta, no entanto, a condições, ou melhor conduções, para que sua personagem alce voo. Há que se lembrar que o ato de representar existe (e como existe!), até nas pausas, nos silêncios e principalmente, nas intenções. É visível a dedicação desta grande atriz de novelas, porém a falta de condução deixa a personagem à deriva.

Herson Capri, no papel de jornalista, sabe o que faz em cena, mas também necessita de uma orientação para que o seu Pedro Pierre (sim, este é o nome da personagem), possa ser mais humanizado,  para mostrar mais suas fragilidades escondidas  na armadura de jornalista político, acostumado a tudo por força da profissão.

O cenário de Flavio Graff auxilia muito no desenho da personalidade de Mariah, preocupada com os holofotes e com o culto a sua personalidade.

Este é um espetáculo em que pode ser observada, muitas vezes, a falta que faz o uso  de algumas marcas, as quais auxiliariam muito na condução mais profunda destas personagens vividas por grandes atores televisivos e que teriam uma grande chance em mostrar que no teatro estas máscaras podem, e devem, ser humanizadas.




 Serviço

"A Entrevista"
Onde: Teatro Vivo – Avenida Chucri Zaidan, 860, Morumbi, (11) 7420-1520
Quando: de 16 de novembro a 16 de dezembro; sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h
Quanto: R$ 50 (sexta e domingo, inteira), R$ 25 (sexta e domingo, meia), R$ 70 (sábado, inteira) e R$ 25 (sábado, meia) 
Pontos de venda:
- internet: www.ingressorapido.com.br
- call center: 4003-1212
- bilheteria do teatro: de terça a domingo, das 14h às 20h
Duração: 75 min.
Recomendação: 16 anos
Capacidade: 290 lugares

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