Entrevista:
Ele – E então, uma vez que você se aventura nesta empreitada
no teatro o que poderia dizer sobre ele?
Ela – Trata-se de um veículo importantíssimo para o
aprimoramento do ator, para testar suas habilidades e exercitar a profissão.
Ele – O que você considera importante no teatro, numa
montagem teatral.
Ela – Tudo é importante. Desde a escolha do texto, sua
leitura, a iluminação, o figurino, o cenário, são elementos que dão vida a
personagem, que a constroem, mas nada disso seria possível sem a figura do
Diretor.
Ele – Qual a real importância do Diretor num espetáculo
teatral?
Ela – É o verdadeiro maestro. Ele que conduz os atores pelos
meandros das personagens, que descobre junto com eles suas fragilidades e caracrterísticas
predominantes, que confronta o ator com sua sombra, aquela produzida em
palavras pelo autor.
Pois bem, isso poderia ser o mote do espetáculo A Entrevista
, do holandês Theodor Holman, baseada no filme de mesmo nome do diretor Theo
Van Gogh, em cartaz no Teatro Vivo, tendo como protagonistas Priscila Fantin e
Herson Capri.
A história parece banal, um jornalista político que é desviado de sua especialidade para
entrevistar uma estrela das novelas para traçar um perfil de sua personalidade.
O texto, bem construído, é um bom exercício para atores, principalmente atores
de televisão, que a partir do conhecimento de sua profissão podem transmutar as
personagens em seres próximos do público, revelando grande carga humana, e surpreendendo
na revelação final. Todavia isso acontece apenas em parte, pois há a
necessidade de um trabalho mais sutil com as palavras das personagens, um
tranbalho que conduza os atores ao verdadeiro objetivo de suas personagens.
Priscila Fantin é uma boa atriz que soube muito bem criar
uma Mariah convincente em seu papel de diva do “star sistem”, falta, no
entanto, a condições, ou melhor conduções, para que sua personagem alce voo. Há
que se lembrar que o ato de representar existe (e como existe!), até nas
pausas, nos silêncios e principalmente, nas intenções. É visível a dedicação desta
grande atriz de novelas, porém a falta de condução deixa a personagem à deriva.
Herson Capri, no papel de jornalista, sabe o que faz em
cena, mas também necessita de uma orientação para que o seu Pedro Pierre (sim,
este é o nome da personagem), possa ser mais humanizado, para mostrar mais suas fragilidades
escondidas na armadura de jornalista
político, acostumado a tudo por força da profissão.
O cenário de Flavio Graff auxilia muito no desenho da
personalidade de Mariah, preocupada com os holofotes e com o culto a sua
personalidade.
Este é um espetáculo em que pode ser observada, muitas
vezes, a falta que faz o uso de algumas marcas,
as quais auxiliariam muito na condução mais profunda destas
personagens vividas por grandes atores televisivos e que teriam uma grande
chance em mostrar que no teatro estas máscaras podem, e devem, ser humanizadas.
Serviço
"A Entrevista"
Onde: Teatro Vivo – Avenida Chucri Zaidan, 860, Morumbi, (11) 7420-1520
Quando: de 16 de novembro a 16 de dezembro; sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h
Quanto: R$ 50 (sexta e domingo, inteira), R$ 25 (sexta e domingo, meia), R$ 70 (sábado, inteira) e R$ 25 (sábado, meia)
Pontos de venda:
- internet: www.ingressorapido.com.br
- call center: 4003-1212
- bilheteria do teatro: de terça a domingo, das 14h às 20h
Duração: 75 min.
Recomendação: 16 anos
Capacidade: 290 lugares

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