Um Hotel em reforma ...........
Hotel Lancaster, um texto de Mário Bortolotto, foi uma peça
que fez muito sucesso em 2003 quando de
sua primeira montagem por Marcos Loureiro. Tendo em seu elenco atores de
talento e de grande energia cênica como Eduardo Silva, Ângela Dipp e Sérgio
Mastropasqua, o espetáculo atraía, e fez sucesso por tocar num assunto até
então pouco recorrente nos nossos palcos, e quando muito, de maneira bem mais
ácida por um autor que trafegava bem por este meio que era, o já falecido, Plínio
Marcos.
Em sua montagem de 2012, para comemoração aos 30 anos do grupo Cemitério dos Automóveis,
muitos dos atores da montagem original não se encontram ali “hospedados”,
infelizmente, ao menos na sessão deste domingo, dia 04 de novembro.
Sente-se claramente a segura direção de Marcos Loureiro, mas
o que mais incomoda é ausência de energia da maioria dos atores, que apenas
dizem o texto, sem qualquer envolvimento, ou mesmo sutileza que cada personagem
tem e que deve transmitir ao espectador. Algumas das falas resultam em
episódios cômicos, de um exagero sem sentido mas que estimulam o espectador mais
desavisado. Até um bom ator como Sérgio Guizé, já com um belíssimo trabalho na
excelente montagem de Delicadeza (com impecável e precisa direção do mesmo
Marcos Loureiro), acaba por se exceder em alguns momentos, deixando-se levar
pela visceralidade da personagem.
O clima pesado de um local por onde transitam viciados e
traficantes poderia ser muito mais intenso se as personagens conseguissem se
entregar numa verdadeira viagem de interpretação, buscando a lisérgica
experiência de chegar ao espectador pela emoção, rompendo definitivamente a
quarta parede, num espetáculo onde isso é fundamental.
Todavia nota-se que o Hotel Lancaster de 2012 precisa de uma
urgente reforma, para que sua estrutura seja mantida e preservada em benefício
de sua preservação como obra teatral.
Carlos Eduardo Carneiro

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