sábado, 3 de novembro de 2012

HAMLET OU OMELETE, EIS A QUESTÃO!!!


HAMLET OU OMELETE, EIS A QUESTÃO!!!

A tragédia de William Shakespeare, Hamlet, é considerada por muitos sua obra prima, que resiste a séculos contando a lenda do século XIII que serviu de inspiração para Shakespeare nesta tragédia. O jovem príncipe Hamlet em busca de si mesmo após a morte se seu pai, o rei Hamlet, que é seguida pelo casamento de sua mãe, a rainha Gertrudes, com o irmão do falecid
o rei, seu tio Claudio.
Remontar uma tragédia de longa duração pareceria, a princípio, uma temeridade mesmo tratando-se de Shakespeare, não pelo texto, mas pelo hábito do público (mal hábito) de assistir apenas a espetáculos de uma hora ou , no máximo, uma hora e meia, e isso se estiverem neles os famosos atores globais. Todavia devemos louvar a produção em apostar nesta empreitada e brindar o público com este magnífico texto da dramaturgia mundial.
Muitas coisas impressionam e pontuam esta montagem. Primeiramente o fato de ser dirigido por Ron Daniels, um brasileiro que atualmente dirige na Royal Shakespeare Company e queria, juntamente com Marcos Daud, fazer uma tradução que fosse mais próxima de nossos dias, sem todo o rebuscamento da renascença mas mantendo toda sua poesia e clareza, e eles conseguiram. Percebe-se nesta montagem um frescor, uma leveza nas palavras que nos fazem mergulhar com interesse nesta intrincada trama.
Thiago Lacerda surpreende como o jovem príncipe confuso sobre sua própria existência, sua dedicação é nítida, sua entrega absoluta que mostra a seriedade com a qual interpreta a personagem e que tende a cada dia ficar mais densa e emocionante. O mesmo pode ser dito de Rafael Losso que faz seu amigo Horácio, principalmente na cena final que acaba por emocionar pungentemente os espectadores.
Roney Facchini nos traz um Polônio bonachão, engraçado, que infelizmente ainda não se deixou impregnar totalmente no ator, talvez pelo medo de comparação com a personagem do coveiro, feita pelo mesmo Roney, mas ele sabe que tem estofo para fazer rir com as duas personagens dando-lhes características e verves diferentes.
Antonio Petrin também atua de forma correta no papel do Fantasma do pai de Hamlet, o rei Hamlet. Pena que não é ele o único fantasma do espetáculos, e estes deveriam sim ser acordados ou exorcizados em benefício do próprio espetáculo.
A concepção simples e minimalista de Ron Daniels para o espetáculo é perfeita, dando força ao texto, e na forma que ele foi traduzido. Nisto é auxiliado pela brilhante iluminação de Domingos Quintiliano e o cenário de André Cortez que, por muitas vezes, pode levar a refletir sobre as imagens apresentadas na psicologia. Sem falar na bela trilha sonora de Aline Meyer.
Infelizmente não se pode auferir o trabalho sempre bom de Rogério Romera, bem como se esperava mais densidade na Gertrudes de Selma Egrei.
Enfim, HAMLET, O Príncipe da Dinamarca, é um espetáculo necessário, imperdível, não apenas para conhecimento do texto nesta adequada tradução, mas principalmente como forma de educar o público para saber que boas histórias conseguem sim manter alguém sentado por 3 horas na poltrona, e ainda querendo conhecer outras deste grande autor chamado William Shakespeare. Não, não é uma omelete, mas sim um grandioso Hamlet!

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