ARTE, mais um
espetáculo da premiada escritora francesa Yasmina Reza, o terceiro dirigido
pelo ator Emílio de Mello.
Na direção de “ O Homem Inesperado”, com Nicette Bruno e
Paulo Goulart, Emílio mostrava-se ainda tímido na condução destes dois grandes atores,mas já mostrava sua vivência
teatral no pouco que imprimia de sua direção. Isso se tornou, já, bem
diferente, na montagem do ótimo “O Deus da Carnificina”, com interpretações
impecáveis de Deborah Evelyn, Julia Lemertz, Paulo Betti e Orã Figueiredo, um
texto de humor ácido e contundente, levado a cena com muita sensibilidade e
coerência, que só bons atores e um bom diretor sabem fazer quando em sintonia.
E esta havia de sobra.
Em ARTE, as
personagens vividas por Vladimir
Brichta, Marcelo Flores e Claudio Gabriel , trazem a tona o tema mais que
atual o do que é Arte hoje em dia? O que é o contemporâneo? Como bem o sabe
explicar o grande filósofo italiano Giorgio Agamben em seu livro de mesmo nome.
Mas, além disso, a história fala da amizade entre três homens, até que ponto um conceito artístico, ou um
consenso estabelecido, pode interferir numa amizade de anos e, assim,
desestabilizar diversas vidas.
A direção de Emílio de Mello mostra-se muito criativa,
principalmente na mudança de cenas e ambientação dos espaços sugeridos pela
autora.
Destaca-se a interpretação correta e concisa de Claudio
Gabriel, que transmuta-se na sua personagem deixando-se abandonar de suas
características pessoais, criando, com muita inteligência, a da personagem que
interpreta.
Vladimir Brichta é um bom ator, todavia acomodou-se no
sucesso, de gosto popular, de sua personagem do seriado “Entre Tapas e Beijos”,
Armane, o qual reinterpreta em seu gestual
e composição de Ivan, tendo claramente possibilidade e bagagem para
ousar mais. Marcelo Flores também não arrisca muito na composição de Marcos,
tentando muitas vezes, até, sair pelo lado fácil da personagem com piadas que
talvez não funcionem muito para o público paulista.
Cenário, iluminação e figurino (em tons de azul), estão
corretos na função que lhes cabe, de dar suporte as atuações sem querer ser
mais do que os atores em cena.
Enfim, ARTE, é um
espetáculo necessário e importante para se ver. Se não pelos atributos técnicos,
ao menos pelo texto e a reflexão sobre o papel da ARTE e da amizade no mundo de hoje.
Carlos Eduardo Carneiro
Serviço
Alameda Santos 2233, Jardins
Tel.: (11) 3069-2286
Sexta às 21h30; sábado às 21h; domingo às 18h
Espetáculo não recomendado para menores de 14 anos
Em cartaz até 25/11/2012

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